A resistência da lagarta

– Não quero, não preciso, isso é coisa para louco.

– Psicólogo? Isso é enrolação. Não vou gastar meu dinheiro com isso.

– Terapia é coisa de gente fraca.

– Eu sei lidar com meus problemas sozinho. Não preciso de ajuda.

– É muito importante fazer terapia. Todo mundo precisa. EU não preciso, mas é muito importante fazer terapia.

– Sou um caso perdido. Psicólogo nenhum pode me ajudar.

– Só remédio funciona.

– Eu não vou ficar contando a minha vida para um desconhecido!! Aff!

Resistência

s. f.
1. Força por meio da qual um corpo reage contra ação de outro corpo.
2. Defesa contra o ataque.
3. Oposição.
As pessoas resistem à terapia.
Por quê?
Fazer  terapia implica em conhecimento e mudança.
Conhecer implica se encarar no espelho e bisbilhotar cicatrizes. É um compromisso honesto com a verdade, não com a felicidade. É re-conhecer o que brilha em nós e o que há de mais escuro e sombrio.
Mudar implica conhecer seu estado atual, definir o que você quer (seus objetivos) e, com o psicólogo, criar estratégias e ações para se chegar lá.
E muitas vezes temos medo de nos olhar no espelho, analisar nossa condição atual, observar erros e acertos.

 

E muitas vezes não queremos pensar no que queremos, pois nos deparamos com a distância entre o hoje e o que esperamos do amanhã.

E muitas vezes não queremos refletir, pois estabelecer objetivos significa (re)pensar no que é mais valioso para nós.
E muitas vezes não queremos parar de se queixar e criar estratégias, porque criar estratégias implica movimento. E movimento implica trabalho.
E muitas vezes não queremos mudar. Porque mudar implica morrer. Deixar uma parte de si para que outra, ainda maior, ainda melhor, possa florescer.
“Aprendi com a primavera a deixar-me cortar e voltar sempre inteira.”
 
Porque muitas, muitas vezes queremos a leveza, o voo e as cores das borboletas.
Mas tememos encarar e largar nossa condição de lagarta.
Ao que você resiste? Insiste? Desiste?

Nina Taboada

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