A loucura saudável versus a “normal-patia”

Já percebeu quão normal é, atualmente, ter algum tipo de dor? Carregar remédios na bolsa e correr para o médico só para pegar determinada receita?

“É só aquela enxaqueca que aparece depois das reuniões”. “Nossa, minha coluna está me matando hoje”. “Não, obrigado, estou evitando café esses dias pois o meu estômago está sensível”. “Ah, só precisa de umas gotinhas para dormir, é tiro e queda!”

Já reparou como é normal a gente reclamar da segunda feira e idolatrar a sexta-feira?

“Afff, amanhã é segunda-feira de novo. Que saco”. “Nossa, ainda é terça? Não aguento mais essas planilhas”. “Ah, o trabalho está normal né? O de sempre..” . “Ah, finalmente chegou a sexta-feira, vou poder beber todas como se não houvesse amanhã!!” 

Já reparou como é normal reclamarmos do casamento? Do namoro? Da solteirice? Da nossa solidão, mesmo quando acompanhada?

“Sério que o João vai se casar? Coitado, está se enforcando tão cedo…” “Ah, já estamos juntos há alguns anos né? Porque não?” . “Nenhum homem  quer compromisso, eles não prestam”. “Mulher só quer saber de dinheiro, elas não prestam”. “Todo homem trai, não seja ingênua”. “Ih, está solteira? Coitada”. “Ninguém liga pra mim.”

Como está cada vez mais comum o vício nas redes sociais e o distanciamento dos amigos na vida ao vivo? 

“Pera, já vejo o cardápio, deixa só eu ver quantas curtidas teve meu último post.. hahaha olha esse vídeo com esse gatinho..”. “Gente, PELOAMORDEDEUS, alguém tem carregador de celular?!?”. “Desculpe não ter te convidado para a festa.. Mas você insiste em não ter facebook, aí dificulta né??”. “Manda uma mensagem para seu irmão descer do quarto dele e vir jantar, fazendo o favor??”

Quão normal é estarmos ansiosos, deprimidos, querendo controlar cada detalhe do cotidiano, com medo que alguma peça saia fora do lugar e… e sei lá, algo terrível poderia acontecer?

“E se não der certo?”. “E se ele não ligar?”. “Tenho certeza que me acham uma chata”. “Preciso colocar todos esses itens na planilha, não posso esquecer de nada”. “Que droga, nada dá certo pra mim mesmo..”. “Eu me odeio!!”. “Não sei fazer nada direito, essa coisa de talento ou sucesso não é pra mim”.

Já reparou como é comum estar longe fisicamente e emocionalmente dos filhos? Dos irmãos? Dos próprios pais?

“Nossa, jura que é esse ano que ele presta vestibular??”. “Eu sei que passo 10 horas por dia no trabalho, além dos relatórios que preciso terminar no final de semana, mas é para o bem dele”. “Nossa, agora você me pegou, não sei com o que minha irmã trabalha…”. “Papai trocou de cargo na empresa? Quando??”. “Mas porque esse menino chora tanto???”

Quão comum é ter medo de se fazer o que se sonha? Quão normal é seguir passos trilhados por uma outra pessoa “de confiança”, na promessa de que ali estaríamos mais seguros?

“Segui tal carreira porque meu pai/professor/tio/marido falou que era mais seguro e que teria garantia de emprego”. “Mas todo mundo na minha família casou cedo”. “Todo mundo me cobra a ter filhos, vai ver é isso que eu tenho que fazer, né?”. “Nunca vi ninguém fazer isso, não pode dar certo”. “Ah, é um sonho de adolescente, né? Deixa pra lá”. “Ah, depois eu penso o que fazer da vida, preciso me focar para pagar essas contas”. “Ah, meu sonho era ____, mas acabei fazendo ____.” Ah, sempre me disseram que eu levava jeito, mas acabei desistindo, muito difícil né?”. Ah……”

Quão normal é nos isolarmos por medo do outro? Por orgulho? Por vergonha? Por preguiça?

“Ah, eu não vou puxar conversa com os novos alunos, e se eles me acharem estranha?”. “Ah, ele que venha falar comigo primeiro, ele que começou a briga!!” . “Ah, para quê me estressar? Deixa quieto, uma hora isso passa”. 

PUTZ!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

O normal hoje, o comum, a média, o mais frequente, me assusta. Estamos vivendo uma “normal-patia”. 

Em um mundo onde a doença, o pessimismo, as reclamações, a intolerância, a solidão e a agressividade são tão normais, só “pirando” mesmo para ser minimamente são.

É preciso “enlouquecer” para sermos autênticos, amorosos e ousadamente felizes! E, por que não, criativamente divertidos?

É preciso doses intensas de “loucura” para seguirmos nossos valores e ter a audácia de ter sucesso, “nesse mundo tão cruel e em crise e blábláblá”.

Eu, como profissional da saúde, te convido a “enlouquecer” um pouco, e assim, encontrar a sua própria sanidade.

Vem comigo?

Nina Taboada

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