Quando a felicidade e a tristeza caminham juntas

Tristeza dói. É desconfortável, desagradável. Parece que a energia se esvai, tudo fica pesado, e nosso olhar se contamina. A cabeça não ajuda: fica ruminando ruminando ruminando memórias doídas, sensação de fracasso, de perda, de tudo que não viveu.

Inércia. Estagnação.

Tristeza é ruim. E não venha me falar que no final tudo vai dar certo. Pior que vai, mas na tristeza isso não faz sentido nenhum. Aliás, é quase irritante esse blá blá blá.

Frequentemente eu visito esse lugar. E antes eu acreditava que era porque havia algo de errado comigo, e que se eu estivesse triste era impossível sentir felicidade, como se fossem emoções inimigas – água e óleo, que não se misturam.

Um dia eu li que felicidade não era uma emoção, e sim uma atitude mental frente a vida. Hein? Tomanocu, pensei (confesso).

Aquela frase me pegou, e ela ia e voltava entre as ruminações da tristeza, até que eu resolvi entender melhor. “Manter-se receptivo”, “olhar outras possibilidades”, “desapegar-se” de uma mesma visão ou opinião. Aceitar a realidade, sem julgamentos.

Abrir-se para as infinitas possibilidades que o mundo pode oferecer. Fiquei com essa imagem, e me vi sorrindo. Lembrei de outros momentos de crise e tristeza que me levaram a conhecer pessoas novas, trocar de emprego – e encontrar oportunidades melhores, me desvencilhar de amizades tóxicas ou de relacionamentos que não me levavam a lugar nenhum. Me vi entrando em paranoias (sou uma fraude, sou chata, feia, ninguém me ama) que me faziam buscar colo em amigas que me ajudaram a ter uma percepção completamente diferente a meu respeito.

E aí me descobri, ao mesmo tempo, feliz e triste. Pois a tristeza invade sim, e tem momentos da vida que são mais delicados. Aí lembro (nem que seja com um post-it) dessa disposição, dessa fé de que a vida tem muito mais a oferecer do que eu estou conseguindo enxergar naquele momento. Assim consigo resgatar que, mesmo no caos, todo o processo da vida pode ser belo e amoroso, e consigo entender o que é essa disposição mental básica de felicidade em meio às turbulências emocionais.
E o que era uma tsunami depressiva, vira uma ondinha – ainda que gelada – mas uma ondinha.

E já que estamos no tema tristeza, você assistiu ao vídeo que gravei sobre?

Nina Taboada

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2 Comentários

  1. Thabata Rosa Dias

    Nina, vc ainda mantém seu potinho da gratidão?

  2. Nina Taboada

    Nossa Thabata, que coincidência! eu estava pensando nisso justamente HOJE! Depois da sua mensagem, nào tenho dúvida que vou retomar! Bora?

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