Relacionamento abusivo: o que te mantém neste ciclo?

É comum quando a mídia divulga alguma situação de relacionamento abusivo as pessoas se perguntarem: “ahh mas se é tão ruim, por que continuam?”. Bem, deixa eu desenhar aqui para vocês:

A cada calmaria, a vítima (na esmagadora maioria, mulheres) acredita que a situação realmente vai mudar. “Olha só, ele é uma pessoa boa. Ele me ama. Ele só perde a linha de vez em quando” – e cá entre nós, as definições de “perder a linha” devem ser atualizadas, né não?

Geralmente, em relações abusivas, (familiares, de amizade e trabalho, inclusive) a vítima está com a autoestima tão deteriorada que acaba suportando e justificando o injustificável, pois acaba comprando, de forma mais ou menos consciente, o discurso que a inferioriza. Ela introjeta a ideia de que merecia (a ofensa, as traições, os tapas, as agressões, a falta de respeito, as sacudidas, os empurrões, as proibições). Acaba diluindo a gravidade dizendo para os outros (tentando convencer a si mesma) que todo casal briga.
E, logo após a fase de lua de mel da calmaria, acredita que tem um parceiro maravilhoso do lado e que sem ele seria muito pior. Que nunca achará ninguém melhor do que ele. Que não é possível viver sozinha.
Se tiver filhos então, danou-se. Acaba acreditando que, se pedir a separação, ela (e não o agressor) é a culpada pelo “sofrimento dos filhos”, colocando panos quentes no sofrimento já existente.

E em um exercício de empatia, vamos voltar a pergunta inicial: “se é tão ruim, por que se mantém no ciclo”?
Pergunte a si mesmo sobre seus ciclos patológicos, que vão te destruindo pouco a pouco, e que você mantém e acredita que um dia vai mudar. Agora vai!
Ciclo do vício. Do sedentarismo. Das horas perdidas em redes sociais. Ciclos de procrastinação. De excesso de trabalho. Ciclos de manutenção de amizades tóxicas. De trabalhos que não tem nada a ver com você. De agressividade com filhos. De abandono afetivo.

Se é tão ruim, por que nos mantemos no ciclo?

Nina Taboada

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