Toneladas de tristeza e uma falta de ar

Pesada.

De todos os sentimentos não muito agradáveis, a tristeza se configura por ser a mais densa.

Puxa o corpo para baixo, deixando ombros caídos, lábios retraídos, postura cabisbaixa.

Aperto o peito. Mantém sua respiração lenta, como se arranhasse. Respiração doída.

Olhar vago, distante, geralmente fixo no passado. No que perdeu, no que deixou de viver, remoendo e revivendo em um filme mental o que considera como fracasso.

Fracasso.

Perda.

Esses são os principais temas da tristeza.

Cognitivamente falando, sempre que seus pensamentos forem uma afirmação negativa a seu respeito (e/ou a respeito de algo que você considera/ama), você experienciará tristeza.

E, uma vez triste, você tenderá a observar com maior ênfase os aspectos negativos, cinzas, desalinhados do seu ambiente, reforçando ainda mais essa sensação.

Se a emoção for demasiada intensa e rígida, é possível que você nem enxergue os aspectos positivos de uma situação. Se enxergar, poderá então não considerar esses pontos mais positivos como algo relevante, digno de nota. É assim que a tristeza se mantém, mesmo em um ambiente “saudável, rico e belo”.

Sabe aquela história de que o 10 não é mais do que sua obrigação, mas um 6 é a prova inquestionável de quão burro e incompetente você é? Isso é desconsiderar os aspectos positivos e maximizar os aspectos – até então – negativos.

Preguiça, desânimo, falta de vontade: todos são espectros da tristeza, mudando apenas em intensidade.

Repare que, quando você está com “preguiça” de fazer algo é porque algum pensamento negativo sobre esse algo invadiu sua mente.

Como, por exemplo: “ah, que preguiça de arrumar minha mesa, vou levar horas e vai ser muito chato!”

“Ah, não quero ir para o shopping, nunca acho vaga, é muito barulhento e monótono.” 

“Nossa, estou sem vontade nenhuma de fazer aquele relatório.. nem sei como começar, é difícil e nem vai ficar tão bom”.

O contrário também é válido: quando você está motivado/animado para fazer algo, é porque pensamentos positivos sobre esse algo permeiam sua mente.

Sendo assim, observe. Quando, “do nada”, você começa a ficar meio chateado, pra baixo, ou uma tristeza “sem motivo” invade você, alguma afirmação negativa está passando pela sua cabeça.

Descobrir esse pensamento e questionar quão válido ele é, ou até mesmo se não existe uma outra forma de pensar aquela situação é a melhor forma de se livrar da tristeza.

Muito mais eficiente que qualquer droga, comida, compra ou novela.

Vamos testar?

Nina Taboada

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